Prevenção

Quedas em idosos: o que fazer antes da primeira

· 6 min de leitura · Dra. Ana Luiza Figueirôa

Entre tudo o que avalio em uma consulta geriátrica, o risco de queda é o que mais costuma mudar o futuro de alguém — e o que menos aparece espontaneamente na conversa.

Por que a queda é tão importante

Uma queda raramente é só uma queda. Ela costuma inaugurar uma sequência: fratura, cirurgia, tempo de cama, perda de massa muscular, medo de andar, isolamento. Muitas pessoas nunca recuperam completamente o nível de independência que tinham antes.

E existe um detalhe que quase ninguém conta ao médico: os quase-caiu. O tropeço no tapete, o desequilíbrio ao levantar da cama, a mão que buscou a parede. São eles que anunciam o que vem depois.

O que aumenta o risco

  • Alterações de equilíbrio e força nas pernas;
  • Visão comprometida — catarata, óculos desatualizados, campo visual reduzido;
  • Medicamentos que causam sonolência, tontura ou queda de pressão;
  • Pressão que cai ao levantar (hipotensão postural);
  • Ambiente doméstico com tapetes soltos, fios, iluminação fraca e ausência de barras de apoio;
  • Calçado inadequado — chinelo solto é um clássico.

O que é possível ajustar

Na consulta, avalio equilíbrio e marcha com testes simples, reviso os medicamentos que derrubam, verifico pressão deitado e em pé e converso sobre visão e audição. A partir daí, montamos um plano — que quase sempre inclui exercício de força e equilíbrio, porque é a intervenção com melhor efeito sobre a estabilidade.

A casa também entra na avaliação

É aqui que a visita domiciliar faz diferença: ver o corredor real, a altura da cama, o banheiro, a iluminação noturna. No consultório, a gente imagina; na casa, a gente enxerga.

O objetivo não é restringir a vida do idoso, é o contrário: manter a pessoa andando, saindo e decidindo com segurança.

Perguntas frequentes

Ter caído é um dos indicadores mais relevantes de risco futuro, e é justamente por isso que vale investigar as causas depois da primeira queda.

Quando bem indicados e ajustados, costumam ampliar a autonomia — a pessoa volta a sair com segurança em vez de evitar caminhar.

O próximo passo

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